quarta-feira, 27 de junho de 2012

A nossa é maior!


Cinema. Sim, o nosso tema de hoje vai ser cinema, se é que se pode chamar cinema a este meio massivo e disfarçado de difusão de ideais racistas que atualmente chega gratuitamente até nós através de um simples clique (e não queridos leitores piratas, não me refiro a um clique no rato do computador, refiro-me a um clique no comando da TV). O querido leitor pergunta como é tal situação possível. Repare, querido leitor: quantas vezes não viu o querido leitor produções cinematográficas onde a personagem principal é um negroide, aparentemente com dotes racionais bastante limitados, a ter, no desenlace da ação, toda a sorte do mundo? E agora pergunto, quantas vezes não viu também o querido leitor a personagem principal dessa mesma produção cinematográfica ser um caucasiano com um talento ilimitado para as mais diversas áreas do saber, nomeadamente para a área dos jogos de sedução, acabar a trama da pior maneira possível e imaginável? Porque todos já vimos, por exemplo, o grande Stifler, herói de toda uma geração de adolescentes, comer bolinhas de excremento canino pensando serem iguarias tradicionais feitas em chocolate, ver a sua mãe ter relações sexuais com aquele em quem ele fazia bullying psicológico por ainda ser virgem, ou mesmo ser vitima de violações sexuais por parte de um parte de um membro da família Cervidae (ou alce, utilizando um vocabulário não cientifico). Em contrapartida, também já vimos ocorrer um negroide, cujo pénis, diga-se de passagem assumia proporções bastante superiores à média, ser apanhado pela sua “sogra” a ter sexo oral com a sua namorada. Por sinal, a sogra (que diga-se de passagem era francamente mais apelativa sexualmente) entendeu que a filha não estava a fazer a coisa do modo mais apropriado, pelo que ela própria, ali, naquele momento, se joelhou ao lado da filha e lhe ensinou como proceder corretamente em situações daquela natureza (e se o querido leitor tiver dúvidas quanto à veracidade desta história, não me causará qualquer tipo de obséquio partilhar consigo o link da produção cinematográfica em questão). Apenas nestes dois pequenos exemplos, podemos identificar indícios racistas como por exemplo o facto de a sorte estar sempre do lado da personagem de pele escura, o que remete para a ideia de que a etnia negra é a etnia superior, ou mesmo a forma como as qualidades inegáveis da raça caucasiana são exibidas de forma a serem vistas pelo mundo como algo inaceitável à luz da ética e da moral. Isto para não falar do facto de serem os caucasianos a ter talento para os jogos de sedução e acabarem a comer bolinhas de excremento canino, enquanto o negroide inocente tem acidentalmente relações sexuais a três.
Mas o maior transtorno e indignação são sentidos por mim, cidadão atento aos estudos produzidos nas mais importantes universidades do mundo e divulgado nas aulas de educação sexual dadas por um enfermeiro semi-careca no IEJ, quando o pénis do negroide é oferecido ao grande publico como monstruoso, quando os estudos dizem que são os caucasianos que o têm maior!

sábado, 12 de maio de 2012

Cyber Bullying


    Século XXI, o século da informação, da Aldeia Global, onde qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo tem acesso a uma quantidade brutal de informação em tempo real apenas recorrendo a um simples clique. Assiste-se a todo um partilhar de informação à escala global, que vai desde as notícias mais relevantes em constante atualização por parte das edições online dos principais jornais mundiais até à divulgação de simples informação acerca da insignificante vida do simples habitante de uma pequena aldeia em Trás-os-Montes, via Facebook.
    Mas como nada é perfeito, também esta Era Digital tem as suas desvantagens, nomeadamente a mais recente versão do popular bullying, o cyber bullying. Se bullying corresponde ao antigo “arrochar alguém”, este cyber bullying é aquilo que até há uns tempos eram simples bocas a alguém publicadas numa rede social. Filosoficamente falando, com que direito alguém (neste caso, o bully) irrompe na vida de outro alguém (neste caso, a vitima) que, na maior parte dos casos, nunca sequer lhe fez qualquer tipo de mal? E com que legitimidade o dito bully rebaixa a vitima até ao nível de lixo, apenas na busca de prazer e de satisfação do seu ego? Algo desumano, que choca particularmente por supostamente vivermos numa sociedade que gosta de se rotular como o expoente máximo da palavra civilização. Neste sentido, e apesar de achar que o nome VIRTUAL BULLYING teria muito mais impacto mediático, condeno veemente esta atrocidade em todas as suas vertentes, com exceção das que são praticadas pela minha pessoa. E pela pessoa do meu irmão. E pela pessoa dos meus amigos e conhecidos, em geral.

     PS: Acabado de escrever mais uma obra literária, senti necessidade de partilhar essa novidade com alguém via sms, pelo que peguei no meu Samsung Corby II (2011- Made in China) e comecei a digitar uma mensagem corrente. Para meu espanto, enquanto cidadão do avançado país que é Portugal, o dicionário do telemóvel não incluía o vocábulo “cyber” nem tão pouco o vocábulo “bullying”. Aparentemente, a moda do bullying, tão em voga nos países ocidentais, parece não ter chegado ainda aos nossos irmãos de olhos em bico. Pergunto-me, escandalizado, como é que uma economia composta por cerca de um bilião de indivíduos de olhos em bico e fora de moda consegue registar um crescimento brutal de ano para ano...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Texto Útil


    Certamente, todo o individuo conhece a sensação de estar tranquilamente a navegar na internet quando, repentinamente, a respeitável senhora que o carregou na barriga durante aproximadamente nove meses decide aparecer sem avisar, obrigando o querido leitor a fechar rapidamente tudo aquilo que estava a fazer e ficar a olhar fixamente para aquele que é provavelmente o site mais visitado do mundo, o «www.google.com». É, de facto, uma situação com a qual é difícil de lidar, por motivos que podem ir desde a insistência das respeitáveis progenitoras em observar o que o querido leitor estava anteriormente a fazer ou por essas mesmas respeitáveis progenitoras acharem que, uma vez que o querido leitor se encontrava, supostamente, e passo a citar, “a fazer nada”, também elas têm o direito de usufruir dessa maravilhosa invenção do Homem que é o computador.
    Toda essa situação poderia ser facilmente resolvida se o querido leitor tivesse uma página que pudesse rapidamente abrir aquando destas visitas surpresa da sua respeitável progenitora. Não necessitava de ser algo bem escrito, antes pelo contrário, apenas algo para abrir em situações de emergência, que induzisse a respeitável progenitora do querido leitor no erro de achar que o querido leitor estava a ler algo realmente enriquecedor para a sua cultura geral. Nesse sentido, vou dar a este texto um titulo que o faça parecer um texto escrito por um dos maiores intelectuais do mundo e, de seguida, vou acrescentar que JHSDFBHFBG LDFBVNFGHJBJDFHDFJFJBKJDFBF DJFEJKFBRHJKFBR ALOAENRUENFJEKF JAEFEKBHFH SJVFBSHJFBGSJKFH JSEAVFBNSKLVBFSD KLBAVASDFJKVBGLFHJVBGAHJKFLBGLHRABGASEJKLHV NSJSSDKJSDBSBSDJKSDJBSDFKSBJKKSKBJDSJISVJUNJVFJSDBSDFJASDFBJSDSFJKBSD JFHBSDHJKBFGSWFBGPSBSBD NBWEFSDJKAERJBGJKÇVHLSDFBVKDBSACB DNHFB VHKALSDFB NZCBSDHLJKVBZSDFJKÇVBJZDFKÇVB ZDFJKB VFDHJKVBGHUERIPUIGOBHASDVFBGERHLBVDFHJLVBGERUIFCBHASDFHUIOVBC ODEIO RABETAS SDFLJKBSDH FDSBSDKJBKKAFHSBBEJEIODBNDKSDEUDDDNDJDEBDJDNDJDNJDBD JFNBFBDF MJDNDNDJDJKD CARREGA BENFICA !SDJFGNREFJSGKLNGFJRG HRUEGNREFJSJDKBVFSDJKBNJKBNVGJKSFDBGJKBSSDJKBNFGSDJKBSDJKBGJSDKBV WFUBHJSKDFBNSH BWEÇFUJBHNWEJSFSDKB E QUEM ESCREVEU ISTO É LINDO.
    Com o dito título e com toda a aparente extensão de texto, a respeitável progenitora do querido leitor vai imediatamente ficar com a sensação de que o filho é um individuo culto que dedica parte do seu tempo à leitura (ainda que esta seja online) e é mesmo possível que vá gabar esta faceta intelectual do seu filho ao seu grupo de amigas, descrevendo-o como um individuo que se preocupa em se tornar cada vez mais culto, contrariamente ao que se verifica com a maioria dos jovens portugueses, cujo tempo despendido na internet se destina maioritariamente a visionar pornografia, resumos dos jogos de futebol do fim de semana e perfis de Facebook de jovens adolescentes seminuas. No que toca às jovens adolescentes seminuas, dá-me particular gozo quando estas são oriundas de países do leste…

domingo, 22 de abril de 2012

21st Century Love


      Mais uma chamada, ela não me larga e eu continuo a não saber sequer quem ela é. Começo a desesperar com o facto de das suas chamadas anónimas não conseguir extrair mais que silêncio. Mas até o silêncio dela me fascina. Mais, o seu silêncio é mesmo capaz de parecer mais música aos meus ouvidos do que a voz do grande Freddie Mercury, que eu venho ouvindo desde há duas horas para cá nos meus velhos headphones. 
        A ti, pessoa que me ligas em privado, quero apenas agradecer. Agradecer por me fazeres sentir desejado, por me mostrares que alguém me quer quando me sinto abandonado por todos os outros (exceto pela Mariana linda, que está lá sempre), enfim, obrigado por tudo, a minha vida sem ti não seria a mesma coisa! Fica o exemplo de como ser romântico em pleno século XXI, quando a moda parece ser meter gostos nas fotos do Facebook e pedir números de telefone no respetivo chat.
      Para acabar, a todos aqueles que gozam com o mais recente fenómeno de popularidade da música mundial, Justin Bieber, nunca mais se refiram a ele como “gay de merda” porque, como o nosso querido Freddie Mercury nos demonstrou, os gays produzem boa música…

domingo, 1 de abril de 2012

Eu, Alberto


    Manhã cedo, toca o despertador, indicando que é hora de acordar para mais um emocionante dia a folhear os classificados dos mais diversos jornais. Sinais da crise e da necessidade de procura de emprego. Mas Alberto não é um trabalhador normal. Alberto nunca trabalhou na vida, é como um jovem licenciado daqueles que saem da universidade com um nível de formação dez vezes superior à média nacional, mas que não consegue arranjar nada melhor que um emprego no Mac Donald’s. 
    Então, ao fim de quase dezassete anos de procura, Alberto encontra finalmente um emprego que lhe parece atrativo. Não mais um daqueles part-times que, apesar de no início lhe parecerem o suficiente para sobreviver, agora se começavam a tornar insuficientes para os seus desejos de ascensão na carreira profissional, aquele é um emprego realmente interessante.
    Enviou o seu currículo, onde além da experiência dos tais part-times, constavam também o visionamento de todos os episódios da saga “American Pie” e o interesse por cinema e literatura dedicados ao público masculino desde há cerca de cinco anos. Como era expectável, Alberto, por todo o seu conhecimento e pela simpatia demonstrada durante a entrevista, foi o candidato escolhido. Iniciaria o trabalho no dia seguinte, logo pela manhã.
    Assim, bem cedo pela manhã, Alberto levantou-se para o início da sua nova vida. Após vestir o seu fato de macaco, estaria pronto para entrar ao trabalho na oficina. Esse era um dos aspetos que não agradavam a Alberto, qual era a necessidade de estrear um fato de macaco novo de todas a vezes que pegava ao trabalho? Mas a motivação era tanta que Alberto ignorou esse pormenor, até porque os custos com equipamento de trabalho eram cobertos pela entidade paternal. Como estava feliz o Alberto com o seu novo emprego… Nada faria adivinhar que seria despedido ao fim de menos de um mês porque todos os dias, após cerca de uma hora de trabalho, se começava a sentir enjoado e acabava por ter de vomitar, o que fazia com que passasse o resto do dia de trabalho em baixo, literalmente.
    Toda esta história acaba com um individuo que sonha ter um emprego bom e fixo, que lhe possa garantir uma boa vida, no desemprego e condenado a ter de viver de pequenos part-times, tudo por culpa da inflexibilidade de uma entidade paternal capitalista que apenas se preocupa com o seu próprio bem estar, ignorando os problemas dos seus trabalhadores. E assim os patrões esmagam os trabalhadores e contribuem para o aumento do desemprego num país.

sábado, 24 de março de 2012

Wireless Love


Estava eu tranquilo, no meio daquele que parecia ser mais um emocionante episódio da minha excitante rotina diária, quando tudo aconteceu:  eu estava naquela fase em que se pára e, à falta de algo mais interessante para fazer, se pensa na vida. Não foi um pensar na vida daqueles da moda porque eu não fumo, nem tão pouco ando com um equipamento de enrolar tabaco na bolsa pequena da minha mochila (o que desde já retira grande intensidade cinematográfica à cena de uma pessoa sentada sozinha num canto isolado a pensar na vida enquanto fuma calmamente o seu cigarro), mas não deixa de ser um momento em que eu parei para pensar na minha vida.
     E foi aí que, vindo do nada, ele apareceu. Fui apanhado de surpresa, pois já não via aquele velho conhecido há um tempo. “Há quanto tempo meu puto!”, “Podes crer mano, o que te trás por cá?”, “Já não te via há uns tempos, pensei que pudesses querer combinar qualquer coisa”, “Tipo da última vez? Népia, tou fora, já me chegou esse fracasso”, “Desta vez vai ser diferente puto, vamos partir tudo!”, “Então?”, “Vamos fazer bungee jumping com cabos wireless!”. Confesso que fiquei meio desorientado com aquela proposta. Fazer bungee jumping com cabos wireless? Parecia-me arriscado, mas ele disse-me que não, que podia confiar nele e que eu ia gostar. Não tinha nada a perder. Decidi confiar nele.
        No dia combinado, à hora combinada, lá estávamos nós prontos para a nossa aventura. “Tens a certeza que não vai haver merda como da última vez?” perguntei-lhe eu. “Tranquilo puto”, respondeu. Contei até três e atirei-me daquele enorme precipicio, confiando que o sistema de bungee jumping via wireless não me iria deixar ficar mal. Confiava que nada ia falhar, pelo que relaxei e tentei ao máximo aproveitar o momento. No entanto, a pouco menos de cinco metros do chão rochoso, o sistema ainda não tinha entrado em funcionamento. Olhei para cima desesperado e lá estava ele com ar de gozo a rir para mim. E assim o amor me fodeu novamente…

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

sem motivo para alarme

   
    ...Não disse uma única palavra até chegar a casa. Era o fim. Não havia nada que eu, um normal estudante sobredotado português, pudesse fazer para salvar a dona Felisberta das mãos do Ranger do Texas. Mas não, eu não podia deixa-la assim, eu tinha a obrigação moral de a proteger, por tudo o que ela significava para mim, pelo menos era o que uma parte de mim me dizia. A outra parte dizia-me que aquele não era um assunto da minha conta, visto que eu nunca tinha sequer falado com ela. Nunca aquele “I don’t need a civil war” do lendário Axl Rose tinha feito tanto sentido, dada a guerra que ia na minha cabeça.         
     Podia apresentar queixa de rapto, mas isso obviamente não ia servir de nada, porque nem que levasse comigo todo o exército português teria coragem de sequer tocar à campainha do rei Chuck. Nem falo em arrombar a porta, porque isso podia ter consequências bastante graves para toda a segurança nacional. O único plano minimamente credível era comprar um bilhete de ida e volta para o Texas e forçar a entrada, assim voltaria para Portugal via roundhouse kick e sempre haveria a esperança de a dona Felisberta apanhar o bilhete de volta e regressar sã e salva. Foi nesse momento que ouvi a voz da minha bf linda a gritar “acorda para a vida” na minha mente. E eu sabia que ela tinha razão… 
     Eu tinha de a esquecer e a melhor maneira de o fazer era conhecendo novas pessoas. Então, liguei o meu super Toshiba e iniciei sessão no Facebook. Foi então que com um simples clique tudo mudou. Essa clique era o som do chat quando recebe uma mensagem, mensagem essa da dona Felisberta! Um turbilhão de emoções passou pela minha cabeça naquele espaço de cinco segundos. Pensei se seria ela a confirmar que precisava realmente da minha ajuda, se estaria a exigir que a deixasse em paz ou, quem sabe, se não me estaria a convidar para um passeio a sós um dia destes (confesso que nesta altura, uma certa elevação começou a sobressair das minhas calças compradas nos saldos da Berska). Para meu espanto, a mensagem era apenas uma daquelas mensagem corrente onde se pede às pessoas para gostarem de alguma coisa, neste caso com o objetivo de ganhar um ano de viagra gratuita na farmácia do Juncal (para o esposo dela, supus eu). Mas não me deixei abater e puxei eu a conversa, conversa essa que durou horas e através da qual, entre outras coisas, descobri que a dona Felisberta estaria de volta dentro de um mês.
    Descobri ainda a razão para a dona Felisberta ter faltado ao Europeu de Farmville: ao que parece, foi desqualificada por as suas batatas serem reincidentes na aplicação de roundhouse kicks aos tomates dos vizinhos.